Sempre tento, ao analisar a carreira do João, fazer críticas e elogios em partes. Quando ele perde, existe a crítica pontual, ou seja, a análise daquela partida do que foi feito ou não. Num mundo de análises instantâneas, isso faz parte, até mesmo no esporte amador analisamos o jogo que fazemos, com prós e contras.
O problema existe quando o ser, especialmente aquele que não entende nada de tênis, julga o jogador por apenas um jogo. Se ele perde, não serve pra nada, não era o que se esperava, se ele ganha é o melhor de todos. Rafael Nadal já dizia “as derrotas não me destroem, as vitórias também não me colocam no céu”.
Há muita expectativa em relação a carreira de João Fonseca, e apesar de todo seu potencial, acho que alguns analistas conhecidos por aí foram audaciosos por demais ao colocar o brasileiro tão cedo como sendo o próximo integrante de um BIG 3, junto ao Sinner e Alcaraz. E por que? Pois além de outros meninos fortíssimos, ainda existe o jogo em quadra que mostra o longo caminho a percorrer pelo João.
O brasileiro tem como seu ganha pão uma direita avassaladora, mas ele ainda está aprendendo a dosa-la, a usar essa potência na hora certa. Sua esquerda precisa de mais regularidade e machucar um pouco mais. As devoluções de saque e movimentação em quadra são outros pontos importantíssimos a serem melhorados.
Dito isso. João fez ontem um jogo excelente contra o Sinner. Sacou absurdo, ganhou a maioria dos pontos na linha de base, e se recuperou no segundo set ao segurar mais o jogo no backhand. O jogo escapou nos detalhes nos tie-breaks. Vale lembrar – jogou contra um dos melhores tenistas da atualidade. Mostrou personalidade e coragem nos grandes pontos.
Perdeu? Sim! Mas é aquela derrota memorável, que os meninos precisam passar pra virarem grandes jogadores. Neste ano, mais do que levar torneios, João precisa “chegar mais”, jogar mais jogos contras os grandes. Não é um ano pra ganhar títulos, é um ano pra ganhar regularidade, “casca” e tentar se consolidar entre os 30 ou 20 melhores, para sair de cabeça de chave nos torneios.
O João já é realidade, é grande. Que os elogios não o iludam, que os fracassos não o destruam, que o João siga sendo João!